Ana Paula Padrão: ‘Não estou brigando com a TV. Tem que saber a hora de parar’

Em entrevista, a apresentadora diz que cansou da bancada do telejornalismo e só cogitaria a volta para a televisão num programa voltado para o público feminino

Ana Paula Padrão despediu-se da bancada do “Jornal da Record” na noite dessa quarta-feira, após quatro anos à frente do principal telejornal da emissora de Edir Macedo. A jornalista, que saiu do canal em comum acordo, não renovou o contrato para ter tempo de dedicar-se ao público feminino.

“Estou com uma grande demanda das minhas empresas, tenho uma plataforma que faz grandes eventos para mulheres. São coisas que exigem muito tempo e preciso fazer toda a negociação”, disse ela em entrevista ao iG nesta quinta-feira. A apresentadora lidera a Touareg, agência de comunicação e publicidade, e também comanda o portal Tempo de Mulher e emprega 70 funcionários nas duas empresas.

Ana Paula Padrão era um dos nomes mais fortes do jornalismo da TV Record | Foto: Divulgação

Ana Paula Padrão era um dos nomes mais fortes do jornalismo da TV Record | Foto: Divulgação

Apesar de todos os anos dedicados ao telejornalismo – Ana Paula começou na TV Brasília, afiliada à extinta Rede Manchete em 1986, e passou pelas principais emissoras do País – Rede Globo, SBT e Record –, a jornalista assegura que não quer mais assumir bancadas. “Óbvio que não estou brigando com a TV, mas tem que saber a hora de parar. Deixa para a rapaziada jovem assumir.” Confira abaixo o bate-papo:

iG: Por que decidiu sair da Record?

Ana Paula: Tenho um portal com 30 milhões de acessos por mês. Estou com uma grande demanda das minhas empresas, tenho uma plataforma que faz grandes eventos para mulheres. São coisas que exigem muito tempo e preciso fazer toda a negociação. Este ano vou fazer um grande evento voltado para o público feminino em São Paulo, sem contar os vários regionais, que vão passar por cidades do Sul, do Nordeste…

iG: Antes do portal você tinha uma empresa. Qual tarefa desempenha nela?

Ana Paula: Tenho uma empresa, a Touareg, que já tem quase sete anos de mercado, que atua no segmento de vídeos. Montamos TV corporativa, criamos vídeos internos e agora percebemos a necessidade de criar conteúdo nacional. Por isso, vamos montar uma plataforma para TV a cabo.

iG: Tem planos de lançar mais alguma mídia?

Ana Paula: Lancei a edição de uma revista para mulheres executivas que deu muito certo, foi muito bem recebida pelo mercado. O plano é, agora que consegui tempo, lançar uma revista mensal sobre esse assunto já nos próximos meses.

iG: Por que decidiu enveredar para esse ramo?

Ana Paula: Sempre fiz muitas pesquisas sobre as mulheres. É um longo trabalho feito que agora estou começando a ter demanda para fornecer aos nossos parceiros e em vários tipos de plataformas.

iG: A Record tentou negociar a sua permanência?

Ana Paula: Eu disse que queria sair da bancada no final do contrato. No ano passado, eles me pediram para pensar melhor. Voltei este ano e continuei a pensar, mas quando vi que teria o lançamento da nova grade da emissora, achei melhor sair. Não teria cabimento ir ao lançamento e sair um mês depois. Meu contrato venceria em maio. Até tentaram uma proposta, mas terminamos superbem. O que sei, por hora, é que preciso dar um tempo. O retorno com as minhas empresas aconteceu muito antes do que esperava.

iG: Cansou de trabalhar em telejornal?

Ana Paula: Quando fui para a Record, já não tinha mais muito interesse em bancada. Sabia que montaria essas plataformas e sempre deixei muito claro que seriam apenas os quatro anos de contrato, só não falei para o mercado para não criar burburinho. Apesar de saberem disso, eles (da Record) sempre foram muito gentis comigo. Gosto muito de tevê, mas não quero mais fazer bancada. Estou feliz com as minhas empresas, me deram muitos frutos.

iG: Acredita que já cumpriu o seu papel na televisão?

Ana Paula: Óbvio que não estou brigando com a tevê, mas tem que saber a hora de parar. Deixa para a rapaziada jovem assumir.

iG: Você comentou que não tinha mais interesse em assumir bancadas quando trocou de emissora. Por que assinou o contrato com a Record há quatro anos?

Ana Paula: Além de uma empresa, isso que estou tocando é uma paixão. Quero continuar trabalhando com mulher. Já saí do SBT para não ficar em bancada, O Silvio (Santos ) até tentou me segurar. Mas como era minha área de atuação, eu só tinha convite para isso. Aí a Record fez uma proposta muito razoável financeira, além da proposta de cobertura de eventos olímpicos, que ainda não tinha feito. Foi uma proposta legal, com matérias especiais, além da proposta financeira muito boa. Aceitei porque me deu tempo de terminar as pesquisas sobre mulher.

iG: Alguns canais de TV paga estariam interessados no seu trabalho. A Fox é uma delas e estaria disposta a oferecer uma atração de jornalismo documental sobre mulheres . Você aceitaria o convite?

Ana Paula: Ninguém me procurou ainda, mas teria o maior interesse em conversar se a proposta tiver afinidade com os meus projetos. Sempre vou ser jornalista, mas não preciso sair correndo, não estou com pressa. Aliás, pelo contrário, precisaria até de um tempo. Meu business plan foi atropelado pelos acontecimentos (risos).

As informações são da repó

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