Exclusivo: Entrevista com o jornalista Ogg Ibrahim da Rede Record

Por Matheus de Souza

Edição Leandro Bovo

Nascido em São Paulo no dia 11 de janeiro de 1964, ele é uma das principais apostas da Rede Record. Começou sua carreira na TV Morena afiliada da Rede Globo no Mato Grosso do Sul, onde apresentou e chefiou telejornais. Em 2006 passou a fazer parte do time da TV Record em Florianópolis (SC), meses depois se tornou repórter nacional da emissora. Desde então sua ascensão é constante. Hoje além de repórter com entradas nos principais jornalisticos de vinculação nacional, ele é âncora do Jornal da Record nas folgas do titular Celso freitas, confira a seguir a entrevista exclusiva com o jornalista Ogg Ibrahim.

Todo Canal – Há 23 anos você é jornalista, e começou na TV Morena, afiliada da TV Globo em Mato Grosso do Sul. Quando surgiu esse interesse no jornalismo?

Ogg: Na verdade foi por acaso, nunca pensei em ser jornalista. Eu fazia arquitetura na época e trabalhava em banco. Descobri a vocação quando fui para Campo Grande.

Todo Canal – De onde surgiu a oportunidade de participar da equipe da TV Morena?

Ogg: Fui convidado por uma amiga, a jornalista Carmem Cestari, hoje na Record Campo Grande, para fazer um teste. Não achei que ia passar, mas deu certo e estou aqui hoje.

Todo Canal – Seu primeiro trabalho foi como apresentador e editor-chefe de telejornais locais, qual é a sensação de ser apresentador?

Ogg: É sensacional voce saber que está falando para milhares, milhões de pessoas. Poder ser o porta voz das notícias é uma missão muito gratificante e de responsabilidade. Imagina que as pessoas confiam e acreditam no que voce diz ali, na bancada. É preciso seriedade pra passar a mensagem com credibilidade.

Todo Canal – Foram 16 anos na TV Morena, foi lá onde realmente você cresceu como jornalista?

Ogg: Na TV Morena eu cresci e aprendi muito. Mas ali não me deram oportunidade de ir pra entrar em rede nacional. Talvez pela função que eu exercia, de apresentador local. Mas mesmo com as reportagens especiais que fiz, não tive essa chance. Só foi mesmo quando fui para a Record em Florianópolis que consegui realizar esse sonho. Acho que o pessoal da Morena não acreditava que eu tinha potencial…rs.

Todo Canal – Em 2003 você saiu da TV Morena, que segundo o próprio foi uma epóca díficil, 3 anos depois você foi convidado para ir para a Record Florianópolis, para integrar a equipe do Balanço Geral local. Como foi sair dessa epóca díficil, e passa a fazer parte da 2º maior emissora do Brasil?

Ogg: Eu sai da TV Morena por uma decisão própria. Tinha me cansado do jornalismo diário e queria tocar outros projetos pessoais que não deram muito certo. O convite para ir pra Record em Sta Catarina foi meu retorno ao jornalismo. Deixei amigos e minhas filhas pra trás para apostar numa nova empreitada. E não me arrependi. Na Record me senti valorizado, em menos de um ano tive meu trabalho reconhecido e as portas se abriram.

Todo Canal – Nesse mesmo ano de 2006, você se tornou repórter ”oficial” de Santa Catarina com entradas no jornalismo nacional da emissora, como você se sentiu ao saber que iria ser um dos principais repórtes da Record?

Ogg: Foi uma surpresa! Um dia o diretor me chamou – oito meses depois de eu ter começado ali – e disse: “Vamos cancelar seu contrato!”. Tomei um susto. “Como assim?”. Ele respondeu: “O pessoal de São Paulo quer vc na Rede e vai assinar por lá agora. Parabéns!!” Puxa, foi um presente. Apesar de não esperar por isso e estar contente com o trabalho que vinha fazendo ali, senti que o reconhecimento por todos os anos de trabalho sério estava chegando.

Ogg Ibrahim em entrada ao vivo no Jornal da Record

Todo Canal – 3 anos depois em 2009, mais uma supresa, você foi transferido para a matriz da rede em são Paulo. Durante todos esses anos você cresceu como profissional e como pessoa, a que ou a quem você deve isso?

Ogg: Primeiro à minha fé em Deus e na minha capacidade. As dificuldades que passei antes de sair de Campo Grande me tornaram uma pessoa mais simples, mais humilde, menos egoísta. Passei a encarar meu trabalho como uma missão de vida. Plantei com seriedade e hoje estou colhendo os frutos. Ter conhecido a minha mulher Débora logo que cheguei a Florianopolis me ajudou tambem a ser mais centrado no trabalho, então, devo a ela também essas conquistas.

Todo Canal – Desde 2008, a  Record  é vice-isolada, e chegando até a liderança. Como é trabalhar em uma TV de tamanho porte?

Ogg: É super gratificante. A Record sabe valorizar seus profissionais. Quando vc faz parte de uma emissora que não precisa brigar por audiência, o seu trabalho se torna indiferente – se for bom ou ruim não faz diferença e aí voce passa a ser só mais um dentre tantos profissionais. Agora, quando você entra para uma rede que está crescendo, vc passa a fazer parte desse processo e cresce junto. Poder contribuir com isso é um privilégio.

Todo Canal – Como é trabalhar juntos com grandes profissionais da TV Brasileira?

Ogg: É um privilégio sem igual. Poder estar ao lado de profissionais que sempre admirei e em quem me espelhei, como Celso Freitas, Marcos Hummel, Heródoto Barbeiro – e poder sentar na bancada junto com Ana Paula Padrão, Janine Borba, Adriana Reid e Fabiana Scaranzi é uma realização muito grande. São profissionais que não perderam sua simplicidade.

Ogg em momento de descontração na redação da Record em São Paulo.

Todo Canal – Quais são os projetos para o futuro?

Ogg: Primeiro concretar ainda mais meu trabalho na Record. Também quero terminar, ainda este ano, meu livro onde conto a trjetória da minha vida – do berço aos dias de hoje. Pretendo tambem gravar um CD com mensagens motivacionais em que já estou trabalhando. E agora, o projeto mais recente … ser pai de um lindo bebê que vem por aí.

Todo Canal – Se a Record lhe convida-se para apresentar fixamente um jornal na emissora, toparia esse desafio?

Ogg: Claro. Estou me preparando pra isso. Sei que tenho conseguido fazer um bom trabalho nas apresentações eventuais do JR. Agora é só esperar a oportunidade e o convite…rs.

Todo Canal – Você também irá participar da Record News, apresentando algum programa?

Ogg: Quando cheguei aqui até houve uma proposta assim. Mas por enquanto o Jornal da Record precisa da minha disponibilidade quase que full time. Quem sabe um pouco mais no futuro.

Todo Canal – Mais uma vez obrigado e agora, mande um recado para os leitores do Todo Canal, e ao todos os seus fãs e loucos por TV.

Ogg: Primeiro agradeço o carinho e o convite para a entrevista. E deixo claro aqui que só consegui chegar onde cheguei com perseverança, insistência e fé. É isso que as pessoas precisam ter, no mínimo, pra chegar a algum lugar. O carinho que recebo de milhares de pessoas no Twitter e no Facebook também é o que me faz seguir em frente e fazer meu trabalho cada vez melhor. Obrigado a todos por isso.

Repórter da Record: “Muitas vezes somos obrigados a aceitar determinadas coisas”

ogg ibrahimEm seu blog, o repórter Ogg Ibrahim do Jornal da Record escreveu sobre o fato de estar fazebdo reportagens em defesa da Igreja Universal e da TV Record, veja o que ele escreveu:

“Trabalho para a Record mas não tenho nada a ver com a Igreja Universal. Minha religião é outra. Sempre tivemos essa liberdade e nunca ouvi falar que alguem fosse obrigado a ser evangélico pra trabalhar aqui. Respeito a filosofia pregada pela IURD e acredito nas pessoas que encontraram sua fé através dela. Assim como naquelas que encontraram paz no catolicismo, na umbanda, no budismo, espiritismo… pra mim não importa a religião e sim a forma que as pessoas encontraram para chegar a Deus.

Também trabalhei na Globo… por 16 anos. Aprendi tudo o que sei ali. Comecei em uma afiliada em MS e só saí porque eu quis. Tinha me cansado do jornalismo diário, queria outros desafios. Ao contrário do que muitos pensam não tenho nada contra a emissora e nunca tive. E também não gosto de fechar portas, principalmente as profissionais. Nunca se sabe o dia de amanhã.

Sou palmeirense, mas sempre assisto aos jogos do Corinthians. Critiquei Ronaldo em algumas matérias mas é o jogador que mais admiro atualmente. Também sou a favor da pena de morte para alguns crimes ediondos (e desde que nossa justiça funcione melhor), mas já fiz matéria contra e respeito quem a condena. Já tive carro da Fiat mesmo não gostando e fui obrigado a fazer educação física na infância quando odiava isso. Já toquei Raul só pra agradar a galera, aguentei Legião porque alguma namorada gostava e suportei fumaça de cigarro apenas pra ficar com um pessoal que curto. Como salada e faço a barba diariamente por obrigação. Acordo cedo mesmo não suportando isso e só tomo banho no frio porque é imprescindível. Alguém gosta?

O que quero dizer é que nossas vidas são feitas de escolhas que nem sempre nos agradam, mas nem por isso nos fazem infelizes. Eu pelo menos não sou infeliz com tudo o que faço mas não quero. Muitas vezes somos obrigados a aceitar determinadas coisas, simplesmente, porque elas fazem parte do universo que nos cerca. Afinal seria muito sem graça só fazermos aquilo que podemos, gostamos e queremos – como conseguiríamos viver sem reclamar, sem blasfemar, sem praguejar ou sem xingar ou detestar algo? Impossível, faz parte da nossa natureza.
E na guerra televisiva travada essa semana, só estou fazendo o meu trabalho – levo como a música que não gosto, mas toco pra agradar aos outros, como o remédio horrível que tenho de tomar para curar uma dor qualquer. Como o trânsito infernal do qual não dá pra escapar. Enfim, precisamos entender e aceitar as missões a que estamos predestinados, maiores ou menores, para que, um dia, tenhamos nossa absolvição divina. Se é que ela realmente existe. Enquanto eu não souber disso, vou cumprindo meu papel.”